As imagens de centenas de caminhões parados no meio de estrada sem asfalto e na lama, tanto do lado Paraguaio- Porto Índio, como do lado do Brasil – Santa Helena, mostram por si só que, uma dos mais importante potenciais econômicos do Município, há décadas, está relegado a segundo plano, quando deveria ser uma prioridade estratégica.

Essa falta de prioridade, verifica-se desde antes mesmo do início do alagamento, nos anos 80, quando o então prefeito nomeado, diante do desastre econômico pela inundação de quase a metade das terras mecanizadas e de mais da metade da população que foi reduzida de 40 mil para menos de 17 mil habitantes, convocou a população para doar sacos de cimentos a fim de construir um porto provisório, sendo que também na mesma oportunidade, jogou-se alguma centenas de cargas de areia e,  inaugurou-se a “prainha” com um show da “Gretchen”.

Pois bem, desde então os investimentos na “prainha” foram milionários, não só em infraestrutura, como em todos os tipos de shows de artistas famosos e pirotécnicos, reposição de areia, escavações de lagoas, indenizações e manutenção, cujas estimativas passam dos 100 milhões de reais nesses quase 40 últimos anos. Todavia não se tem qualquer geração de emprego permanente na inciativa privada decorrente desses investimentos e, nem estatísticas do resultado econômico gerado, seja para o comércio, seja para o município, vez que os custos mensais de manutenção ultrapassam aos 100 mil e as receitas são insignificantes ou inexistentes, pois sequer aparecem no orçamento do Município, afinal todos os “turistas” mesmo de fora, usufruem toda a infraestrutura e shows de graça, sendo que o Município usa a conta dos recursos dos royalties, os quais deveriam ser usufruídos pelos cidadãos santa-helenenses que sofreram e continuam sofrendo com as consequências do alagamento. 

Ao contrário, comparativamente com os investimentos da “prainha”, muito pouco foi realizado no Porto, o qual tem um potencial econômico enorme, com consequente retorno de receitas para o Município e geração de empregos efetivos e permanentes para a população, especialmente, considerando que foi conseguido a legalização de sua internacionalização, possibilitando a instalação no lado brasileiro de Santa Helena das duas alfândegas, com agilização dos despachos.

Todavia, a imagens das centenas de caminhões parados, esperando em estradas de chão do lado paraguaio, como as más condições de acesso do lado brasileiro de Santa Helena, sem uma via ou rodovia marginal própria para acesso e sem passar pela estreitas ruas da cidade, demonstra que os administrados públicos estão mais preocupados com “shows pirotécnicos”, iluminações que parecem um “circo místico”, do que com um dos maiores potenciais econômicos do Município.

Se, apenas a metade dos investimentos desperdiçados na “prainha”, fossem aplicando com planejamento no Porto Internacional, o Município estaria gerando centenas de empregos apenas com as estruturas necessárias as exportações e importações de mercadoria, uma vez que o gargalo da ponte de Foz beneficia a travessia no Porto de Santa Helena, permitiria a instalação de armazéns, silos, transportadoras, indústrias de manutenção, insumos. Com isso o Município receberia, além dos empregos permanentes, milhares de reais em receitas de impostos pela circulação de mercadorias. Contudo, a falta de visão estratégica dos dirigentes, aliada as imagens das centenas de caminhões parados, dão um panorama de desesperança, não só aos careteiros que ficam dias no meio da lama sem uma estrutura digna, mas também para a própria população de Santa Helena, a qual vê seus recursos dos royalties sendo consumidos com outras “prioridades”.

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