Acordando do berço esplêndido: a seção desta segunda (07.10.19), foi como se alguns vereadores acordassem e percebessem que a realidade do povo não é o berço esplêndido da prefeitura que, neste ano, com o saldo do ano passado, deve chegar aos 250 milhões de arrecadação, o maior da história.

Despejados e se teto: pressionados por centenas de despejados da área da Itaipu, conhecida como a Curva do Ogregon, a maioria dos vereadores se revezaram, na condenação a Administração Municipal e Itaipu que, ao logo de anos, ignoraram a invasão e, que a menos de 3 anos, era de pouco mais de 15 famílias, mas que nos últimos meses, ultrapassaram a 100 com a ajuda de “agentes” que, segundo denúncias, recebiam para regularizar a documentação internacional e até “vendiam” espaços no local.

Banquete x desabrigo:  na semana e que centenas de famílias procuravam abrigos e mendigavam pela cidade, a estrutura da prefeitura, com disparos de centenas de ligações e laudo banque, era posta a serviço do aniversário do seu gestor, tudo em plena luz do dia e sem qualquer constrangimento dos apadrinhados, figurões políticos e um “laranjal” de fornecedores.

“Surpresas” e demagogias: como se as ocupações na cidade, especialmente a da Curva do Ogregon, não estivem a vista de todos, o administradores públicos, como sempre, se apressaram em dizer “que foram pegos de surpresa”, demonstrado que a demagogia e o cinismo não tem limite.

“Não aprendem a lição”:  um comentário “emblemático” ficou no ar nesta seção da Câmara. Foi quando um vereador sentenciou que: “os prefeitos não aprendem a lição, pois só teve um que se reelegeu”. Que vão “dar com o bico na laje”.  É a velha máxima: há muito que nossos prefeitos eleitos ou conduzidos através de manobras e interesses pessoais, apenas se preocupam com a próxima eleição, não com a próxima geração.

Críticas a Terceirizada Costa Oeste: inúmeros empregados da terceirizada Costa Oeste, compareceram a seção desta segunda, pressionado os vereadores para que tomasse providência contra a redução de 80 reais do seu já indigno e minguado salário de zeladores, jardineiros, garis, que líquido, segundo um vereador, chegou a 976 reais, para uma mãe contratada que sustenta três filhos.

Enquanto isso: esse modelo perverso de terceirizar os serviços básicos para empresas do “terceiro setor” ditas “organizações sem fins lucrativos”, mais conhecidas como “organizações tabajara”, enriquecem seus diretores, assessores, explorando os mais humildes que realmente fazem a limpeza do lixo dos administradores, deixando ao final um rastro de prejuízos ao Município, como aconteceu com a “Confiance” e outras tantas mais.

Engano: um vereador indignado, disse que a terceirizada Costa Oeste, tem dois contratos um de 16 e outro de 2 milhões, mais na verdade tem três, mais precisamente de R$ 16.296.000 para limpeza das ruas e afins, R$ 5.289.072,08 para limpeza da administração e afins e, R$ 2.433.000,00 para contratação de motoristas e afins.

Sem concorrência: as contratações das empresas ditas “sem fins lucrativos” normalmente é um jogo de cartas marcadas, não havendo praticamente concorrência, sendo que a Costa Oeste quase em todas as licitações participa sozinha e vencem, praticamente, com o preço máximo. Assim, vir a empresa terceirizada junto com o gestor municipal dizer que a Convenção do Sindicato ou Tribunal de Contas mandou descontar os 80 reais, é realmente um deboche.

Valores já recebidos pela Costa Oeste: alguns vereadores ficaram procurando os administradores o prefeitos responsáveis pela contratação da Costa Oeste e sobre o volume dos valores pagos pela municipalidade. O Portal da Transparência da Folha, contribuirá com uma “ajudinha”, vamos lá: em 2014 foram pagos a Costa Oeste 3,9 milhões; em 2015, 7,5 milhões, em 2016, 13,6 milhões; em 2017, 13,7 milhões; em 2018, 15,5 milhões e, em 2019, até o fechamento desta edição, forma pagos 12, 4 milhões. Assim a Costa Oeste já levou mais de 66,7 milhões. A pergunta que não quer calar: quanto desses valores ficaram com os funcionário?

Promessas:  a administração, que depois de comemorar o banque de aniversário, fez uma reunião de emergência, além de dizer que “foi pega de surpresa”, não apresentou nenhum plano ou projeto, além de promessas para buscar abrigar os despejados. Muito menos resolver os salários dos explorados terceirizados, cujo edital de todos os contratos são concebidos pela própria administração.

Conclusão:  como bem disse um vereador: “não existiu qualquer providência ou ofício para Itaipu a fim de tomar medidas preventivas no sentido de evitar o agravamento das ocupações”. Afinal, o problema das ocupações sempre esteve luz do dia, atraídas, como sempre, por promessas políticas, que se repetem com demagogia e cinismo, quando não regadas a banques, para comemorar não sei o quê, com apadrinhados. É preciso acordar desse berço esplêndido. Senão, como sentenciou um vereador: “vão dar com o bica na laje”…

Deixe uma resposta