A Secretária de Saúde de Santa Helena informou que em 2019 realizou mais de 70 mil atendimentos, o que representa quase três vezes a população do Município, estimada em 25 mil habitantes.

Apesar do número de atendimentos, segundo pesquisas de opinião pública, as quais já estão circulando em ano eleitoral, o setor de saúde continua o setor com a pior avaliação, mesmo tendo um dos maiores orçamentos e gastos, sendo que em 2020, as despesas estimadas para o setor, é de mais de 33 milhões.

Todavia, a insatisfação com os serviços de saúde prestados pelo Município são os mesmos, constante falta de remédios e sua distribuição irregular, atendimentos precários das unidades de saúde, falta de médicos e reclamações quando aos atendimentos, demoras no agendamento das consultas ou procedimentos com especialistas, além do desgastante do transporte, mais conhecido como “passeio dos doentes”.

O fato é que, em tempos passados, já tivemos 4 bons hospitais na cidade, e hoje, praticamente, não temos nenhum em condições e com equipamentos para atender as especialidades. Tanto que todos os dias partem centenas de doentes para outros centros médicos como Toledo, Cascavel, Medianeira e Rondon, quando Santa Helena, poderia ter um dos melhores centros médicos e ser referência em saúde, especialmente pelo volume de recursos disponíveis no Município que, proporcionalmente a população representa o dobro, por exemplo do que Medianeira e Rondon que já são referência em especialidades na saúde.

A principal crítica ao setor de saúde de Santa Helena, é que se optou para construir dezenas de pequenas e inadequadas unidades de saúdes, sem se preocupar com o atendimento profissional e especializado, bem como regular. Tais “postinhos”, como são denominados, situados em cada distrito ou bairro, geram mais despesas na sua manutenção, pelas constantes reformas e com o quadro de pessoal e seu deslocamento.

São os tais “postinhos de saúde” que, quando funcionam ou não estão em reforma, mal prestam os serviços de atendimentos básicos, pois todos os demais procedimentos e consultas de maior complexidade, são direcionadas para fora do município no já conhecido “passeio dos doentes”, cujo transporte, diárias, horas extras dos motoristas, consumem também a maior parte dos recursos.

Outras queixas dizem respeito a administração do setor de saúde, cuja rotatividade e incompetência administrativa de seus ocupantes, fica mais evidente a cada nomeação política. 

Aliás, uma simples conta, partindo do próprio número de 70 mil atendimentos divulgados pela Secretaria, nos dá conta da dimensão do desperdício dos volumosos recursos destinados a saúde. Pois se dividirmos os 33.141.512,93 milhões que serão destinados a saúde em 2020, pelos 70 mil atendimentos, cada atendimento básico custou ou custará R$ 473.45, mas se dividirmos pelo número de pessoas residentes no município, cerca de 25 mil, o custo por atendimento básico sobe para R$ 1.325,66.

Conclusão: com esse valor, a prefeitura, ao invés de manter o setor de saúde ineficiente e com astronômicos custos como está, poderia pagar um dos melhores e completos planos de saúde a cada habitante. Todavia, como um bom plano de saúde particular custa em média 500 a 800 reais, o Município poderia economizar cerca 15 milhões dos recursos desperdiçados e mal aplicados que beneficiam uma ineficiente “indústria” da terceirizadas da saúde.

Ainda há uma indignação geral da população, quanto a terceirização da saúde, com o uso público de bens, equipamentos, pessoal, procedimentos, sendo que, praticamente todas as contratações são políticas e, os contratados, por se sentirem protegidos, deixam a desejar na prestação dos serviços médicos e procedimentos de saúde, apenas fazendo o mínimo necessário e, às vezes, o fazendo com mau humor, falta de profissionalismo ou comprometimento. Tudo porque, tais profissionais da medicina terceirizados, normalmente, veem o exercício da prestação de serviços ao Município ou órgão público, como “bico”. Sem contar que muitos usam indiretamente o “emprego” ou estruturas públicas e até o pessoal, “após o expediente” para promover as próprias instituições clínicas, consultórios, hospitais, laboratórios ou os tais institutos ou organizações sociais sem fins lucrativos, que de fins não lucrativos não tem nada.

Um ponto também questionado pelos pesquisas de opinião, é quanto de medicamentes ou o fechamento da farmácia básica em horário comercial, bem como nos finais de semana, quando os munícipes necessitam de remédios e tem que aguardar até a segunda-feira ou comprar os medicamentes, acontecendo o mesmo com exames, cujas as queixas vão além, especialmente dos laboratórios locais, que reclamam há muito um tratamento melhor, vez que como já comprovado, pelo site da FOLHA, a maioria dos procedimentos estão sendo encaminhados para laboratórios de fora do Município.

E, para completar, não existe nenhuma expectativa que a situação melhore ou mude a curto prazo. Ao contrário, sequer existe um prazo para o início do funcionamento da nova estrutura unidade de saúde, construída ao lado da Rodovia, a qual há meses está abandonada a e a mercê do tempo, gerando desperdício do dinheiro do contribuinte, já que teve vários aditivos de valores acrescidos em complementos da obra e certamente irão continuar, pois segundo informações de engenheiros, a obra possui várias problemas de projetos e inadequações, tais como esgoto, acesso ao local, visto que, da forma  e local da construção, ao lado de uma Rodovia de alto tráfego, a população não vai se sentir segura ao atravessar, ou seja, ironicamente, os pacientes ou usurários, vão continuar a sofrer riscos com a saúde, agora também pela falta de segurança do local de acesso.  

Todavia e, para todos os efeitos populistas eleitorais, bem como para a administração da prefeitura e secretaria da saúde que faz questão de divulgar para a imprensa “agenciada” os agendamentos de 70 mil atendimentos, ao contrário de representar eficiência na saúde, tal número indica que, cada pessoa residente em Santa Helena, ficou doente ou precisou da intermediação do setor de saúde, pelo menos 3 vezes no ano.

Como nem todos os 25 mil habitantes do Município ficaram doentes ou usam a saúde pública, a estimativa é que muitos recorrem aos inúmeros “postinhos” ou “passeios de doentes”, mais de 5 vezes, o que demonstra que o número de 70 mil atendimentos, não é um bom número, mas uma indicação de que, apesar do Município gastar em média 3 vezes mais por habitante do que nossos vizinhos, não estamos tratando bem e nem eficientemente nossos doentes e, a insatisfação das pesquisas com a população, demonstram isso.

Sendo que os mesmos fatos e problemas estão acontecendo com outro setor essencial da Educação que, com a maior previsão de gastos para 2020 no valor de 47.544.474,79 milhões, foi constatado pelo  próprio Tribunal de Contas do Estado, que o Município gasta 3 vezes mais por aluno, mas apenas mantem a média básica da avaliação da qualidade do ensino, sendo que algumas escolas estão com notas vermelhas ou sofridas, sem evolução se compararmos com municípios que detém, infinitamente menos recursos e estruturas.

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